Instituto Mexicano de Relaciones Grupales y Organizacionales
Mexican Institute of Group and Organizational Relations

ALGUMAS LIMITAÇÕES DO GRUPO T

Kenneth D. Benne et al.

(De Psicodinamica Del Grupo T - Editorial Paidós, Buenos Aires, 1975)
 

O mínimo denominador comum

Uma das características de um Grupo T é que só pode avançar com uma rapidez equivalente à de seu membro mais lento. Em raras ocasiões um grupo pode "silenciar" a respeito de um membro desviado e proceder como se não estivera ali. Mesmo nesses casos é como se o grupo tivesse um olho fixado sobre este participante e, seja por um sentimento de culpa ou por real interesse, se sentirá compelido repetidamente a voltar ao problema deste membro descarrilhado e tratar de incluí-lo. Em função do membro lento do grupo que se converte num membro extraviado, é criado no grupo um conflito, ou seja, o grupo deve ocupar-se dele e de suas atitudes para avançar.

     Necessidade de incluir a todos os membros no tratamento de qualquer problema.
     Temor de que o grupo se estanque e que sua integridade seja destruída.

Um tema interessante que vale a pena examinar é o número de pessoas deste tipo (obcecadas, dogmáticas, etc.) que um grupo pode tolerar sem desintegrar-se.

Pessoas seriamente neuróticas ou psicóticas

Esta é em essência uma subdivisão dentro do problema do mínimo denominador comum. Estas pessoas atuam como desviados persistentes e interferem no progresso do grupo dirigindo a discussão segundo linhas características que resulta muito difícil generalizar em experiências de aprendizagem para o resto do grupo.  Quando o conflito focal do grupo interfere no conflito nuclear de um membro (isto é, com seu método central de resolver problemas), se converte em um desviado para defender seu modo habitual e próprio de responder. Quando uma pessoa tem
demasiados pontos vulneráveis ou é demasiado inflexível para considerar outros modos de tratar com as relações interpessoais, se converte em um ponto sensível do grupo e é necessário confrontá-la. Uma das pessoas mais angustiadas que se pode encontrar é aquela que não possui canais disponíveis acessíveis para tratar com um aspecto seriamente neurótico ou psicótico, que não tem ciência de seu déficit psicológico.

A tenacidade das normas habituais

As pessoas não mudam com facilidade. Na realidade, o que temos tratado na maior parte deste livro é a criação de condições ótimas para a mudança. Estas são uma ansiedade moderada, o apoio e a proteção do grupo e do instrutor, a interpretação da conduta individual e grupal, os modelos de soluções alternativas dos problemas e uma composição heterogênea. Contudo, a limitação temporal do Grupo T, as defesas que
triunfam sobre o compromisso e a dedicação e as características geradoras de energia das normas automáticas habituais, todas se opõe à mudança.

Além do mais, quando a mudança se realiza, muitas vezes é demasiado insignificante para ser pertinente à conduta. Também é uma regra psicológica geral que as normas mais recentemente adquiridas são as que se destroem com mais facilidade sob a pressão de diferentes condições externas. Isto nos leva ao quarto item como a um corolário natural para uma teoria de campo da personalidade.

Mudanças no campo

O indivíduo deve regressar da atmosfera de proteção, questionadora e experimental do Grupo T comum, ao seu habitat anterior. Ali se encontra com todas as forças internas e externas que mantêm o status quo. Duas pessoas que permanecem juntas têm uma oportunidade muito maior de êxito na promoção da mudança.  Infelizmente é uma experiência muito comum, manifestada pelos participantes de Grupos T, que seu
entusiasmo inicial muitas vezes diminui ante os olhos escrutinadores de seus superiores e de seus companheiros de trabalho quando tentam qualquer inovação.

Uso inadequado da experiência do Grupo T

É frequente que as pessoas voltem a seus ambientes originais com um conhecimento muito maior da dinâmica de grupos. Sua sensibilidade a respeito das relações interpessoais teve um marcado aumento.  Contudo, cometem o erro de aplicar estes conhecimentos a situações para as quais não são adequados.  Em grupos, com orientação muito marcada para a tarefa, onde o tempo é um fator decisivo, muitas vezes resulta
supérfluo discutir alguns aspectos de conduta. É certo também que muitas vezes se enfatiza a importância do tempo como fator para evitar observar as relações interpessoais. Também, como o demonstrou o estudo de um tipo particular de grupo, a menos que o líder da equipe respalde a mudança nos procedimentos ou atitudes do grupo, qualquer esforço está destinado a fracassar. As decepções causadas por uma aplicação errônea muitas vezes desanimam para realizar outras experiências. A administração e o tato para sugerir aos grupos o exame do processo figuram entre as habilidades mais difíceis de adquirir.
 


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