Instituto Mexicano de Relaciones Grupales y Organizacionales
Mexican Institute of Group and Organizational Relations

GRUPO T - O INÍCIO, O MEIO E O FIM

Roy M. Whitman

(De Psicodinámica del Grupo T - Ed. Paidos, Buenos Aires, 1975)

PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE COORDENADORES DE DINÂMICA DE GRUPO / PROGRAMA DE FORMACION DE COORDINADORES DE DINAMICA DE GRUPO

Este capítulo levará  em conta aqueles aspectos do Grupo T que se prestam melhor a serem descritos como "processo".  Por processo, entendemos as evoluções emocionais dinâmicas e as pautas afetivas que se manifestam no grupo. O processo do Grupo T pode dividir-se em três fases: a do início, a do meio e a do fim.  De acordo com isto haverá sessões dedicadas às intervenções do coordenador, às suas características, e a algumas das limitações próprias deste tipo de treinamento.

O COMEÇO DO GRUPO T

Ao descrever a apresentação típica de um coordenador, nos enfrentamos imediatamente com a multiplicidade de possibilidades que oferece o começo de um Grupo T. Isto se aplica não só a diversos coordenadores como também a um mesmo coordenador ano após ano de experiência.

Definição mínima da situação.

É importante que o coordenador saiba não só o que vai dizer, mas também que anote cuidadosamente o que foi dito.  Uma possibilidade de iniciar poderia ser essa: Meu nome é....Estou aqui como coordenador deste grupo e minha missão é ajudá-los da melhor maneira possível no seu estudo. Apesar da brevidade, esta apresentação tem muitos efeitos: É um chamado à liderança; é uma promessa de gratificação de algum tipo de necessidade de dependência e, por último, estabelece como uma tarefa importante para o grupo o estudo de si mesmo.

A hipótese projetiva.

Esta hipótese, que se desprende da psicologia projetiva, afirma que as pessoas projetarão suas próprias necessidades, desejos e medos sobre qualquer situação. Esta projeção é uma função do grau de ambiguidade da situação. Por conseguinte, se o coordenador pronuncia um discurso formal e atua de uma maneira bem definida e estruturada, haverá muito pouca projeção sobre esta conduta; pelo contrário, se não diz nada nem mostra nenhuma expressão particular, é provável que as pessoas vejam nele uma grande variedade de motivos e atitudes. Talvez o mais útil para o grupo seja começar em algum ponto intermediário entre os dois extremos.

Visibilidade ótima.

Uma visibilidade ótima supõe que o coordenador se posicione em algum ponto entre os extremos de uma gradação contínua, entre uma total sinceridade e uma impassibilidade completa. Isto tem implicações não só para a conduta do coordenador no grupo, mas também fora dele e para o grau e quantidade de interação social com os membros de seu grupo.

A renúncia à liderança autoritária.

O ímpeto do impulso para obter respostas da parte do coordenador provém da novidade da situação.  Qualquer pessoa que ingressa em uma situação nova, com potencialidades desconhecidas, experimenta ansiedade. Quando alguém se encontra bloqueado pela ansiedade em uma nova situação, a resposta natural é buscar a ajuda de experts ou da pessoa que parece conhecer o que está ocorrendo.  Parte desta 
dependência é realista, e parte não o é. À medida que se frustra a dependência, aumenta a hostilidade. Tanto a hostilidade como a dependência raras vezes se expressam de uma maneira direta. Muitas vezes a hostilidade se volta contra o indivíduo e isto leva a expressões acerca da alta capacidade do coordenador e de como o grupo é afortunado por tê-lo. Quando se produz uma reação contra a dependência: "Não
necessitamos do instrutor...Isto nos proporciona realmente uma oportunidade de ver o que podemos fazer por nós mesmos."

Fundamentos deste enfoque.

Se pode entender melhor o enfoque geral de uma visibilidade ótima por parte do coordenador e da ausência de participação no papel de líder esperado no início do Grupo T, em termos de ansiedade e aprendizagem.  Uma ansiedade excessiva é desintegradora para o organismo. Demasiado pequena, a ansiedade faz com que uma pessoa não esteja disposta a abandonar seu enfoque habitual.  O conceito de ansiedade ótima implica certo nível de desassossego entre os extremos; algo de ansiedade e de incômodo necessários para a mudança.  Se os membros do grupo se sentem incomodados com respeito ao silêncio anormal do coordenador ou de sua retirada imediata quando eles começam a desintegrar-se, é então necessário que o coordenador ou interprete esta confusão, ou que revele algo mais de si mesmo para diminuir a ansiedade. O mesmo princípio geral de ansiedade ótima é aplicável na interpretação referente à dependência e à hostilidade, os dois vetores principais na fase inicial do grupo. Se o grupo, por exemplo, estiver falando acerca dos instrutores que se mostram omissos ao vestir o manto dos líderes, uma interpretação muito direta acerca da hostilidade do grupo como, por exemplo: "Penso que o grupo está chateado comigo por não dar-lhe a ajuda do tipo que estão acostumados a receber!", poderia provocar demasiada ansiedade no grupo. Os membros não podem enfrentar sua hostilidade direta contra o coordenador a esta altura. Não faz falta dizer que a regulação temporal é uma das tarefas mais delicadas do coordenador.

Regressão ótima.

Existem dois extremos: 1) a ausência total de regressão da pessoa com uma grande capacidade cognitiva, que atua como se a totalidade da experiência grupal seja um exercício intelectual; 2) a pessoa demasiado regressiva que atua com uma modalidade infantil. Esta última se sente tão estimulada pelo grupo que continuamente se refere à experiência dizendo "que é demasiado emocionante para expressá-la em
palavras". É necessário que o coordenador tenha uma consciência permanente deste vetor, posto que suas intervenções e comentários contribuem em grande parte ao grau de regressão que se produz.

A ETAPA MEDIANA DO GRUPO T

Para que não pareça que as recomendações iniciais contenham um enfoque ao estilo de "Livros de Receita" do trabalho com um Grupo T, devemos destacar que a quase totalidade da conduta do coordenador deve guiar-se por uma quantidade extrema de sensibilidade e de tato para os quais não existem regras. Isto resulta particularmente certo na etapa mediana de desenvolvimento do grupo, para a qual a analogia de Freud sobre o jogo de xadrez é aplicável: "se pode ensinar os movimentos iniciais e inclusive as jogadas de finalização, mas durante a etapa de desenvolvimento do jogo a pessoa deve utilizar todo seu engenho e habilidade".  Existem algumas direções e fenômenos bastante amplos que podem delinear-se e donde a sensibilização resulta útil.

O desenvolvimento de uma nova cultura.

O grupo forma sua própria história e constrói suas próprias pautas e modalidades de conduta e, uma vez fixadas, é difícil que se modifiquem. Coisas como chegar a tempo, a extensão das contribuições às discussões em grupo, não deixar a sala por nenhum motivo; todas se convertem em modalidades de conduta sobre as quais o grupo marca sua importância. Têm quase o efeito das leis, já que o castigo social quando são infringidas (desaprovação, ostracismo, hostilidade) é tão severo como a equivalente sentença de prisão em nossa sociedade ocidental.

Estereotipia

Para que possa fazer uma alocação de energia o grupo deseja saber a ocupação de cada um dos membros, sua idade, seu estado civil, suas concepções políticas, seus hobbies, etc. A hipótese sobre a qual se baseia esta atitude é a de que quanto mais se conhecem estas características sociais diferenciadoras de outra pessoa, tanto mais fácil será predizer suas respostas. Esta é uma simplificação absurda e excessiva, já que a conduta social está sobredeterminada de tal modo que seria necessário uma variedade de fatos muito maior do que a que se pode reunir por mera enumeração para caracterizar uma pessoa. O que melhor prediz sobre a conduta social é a conduta assumida em uma situação semelhante. Portanto, a conduta cotidiano de um membro do grupo é o que melhor possibilita a previsão do que será a sua conduta amanha ou na próxima semana. Um coordenador alerta deve estar atento ao desenvolvimento da estereotipia, em especial num grupo heterogêneo (que grupo não o é em certos aspectos?) e deve aproveitar qualquer oportunidade para prevenir o grupo acerca deste fenômeno.

Diferenças relacionadas ao sexo.

A sexualidade aparece como um tabú bastante forte nos grupos de treinamento.  Muitas vezes toma a aparência de brincadeiras, de condutas festivas, que quase sempre estão carregadas de hostilidade contra o sexo oposto. Aparece a similitude com a cultura do adolescente na qual tem lugar o mesmo tipo de erotizaçäo, mas donde também resulta, em particular, vergonhoso manifestar realmente os interesses sexuais
de maneiras que não sejam através de brincadeiras casuais. As mulheres são mais propensas a por a sexualidade a serviço da competição com outras mulheres e assim obter a posição de líder. Isto não está de nenhum modo limitado à mulher. Em qualquer circunstância a sexualidade se emprega com frequência para a consecução de outras operações relacionadas com o poder e, geralmente, se reveste na forma de uma
sedução verbal.

O conceito de níveis.

Um grupo trabalha simultaneamente em uma quantidade de níveis distintos. Para efeitos práticos podemos dividi-los em dois níveis. Manifestos ou latentes. A sensibilidade que o coordenador adquire no seu treinamento, e sua experiência no diagnóstico de grupos e em suas interpretações, pode resultar numa manobra adicional muito útil quando o processo grupal parece confuso. Pode perguntar-se, a si mesmo, o que sente e em que medida o que sucede no grupo é responsável por esse sentimento particular. Por exemplo, o coordenador pode sentir que não está dando uma ajuda suficiente ao grupo e que deveria fazer mais intervenções ou oferecer uma informação didática. Existem duas possibilidades: uma, que ele será inadequado nesse aspecto; outra, que o grupo sutilmente o humilhe para fazê-lo sentir-se desse modo. Então pode usar esses dados obtidos mediante a introspecçäo para determinar o que o grupo trata de fazer e, finalmente, pode sugerir-lhes a pergunta de por que o estão fazendo.

Problemas de comunicação.

É uma das responsabilidades do coordenador assegurar-se de que uma pessoa esclareça muito bem suas manifestações e de que o resto do grupo tenha entendido o que foi dito. Com muita frequência pode eleger-se uma norma grupal que favoreça as perguntas esclarecedoras, os pedidos de reiteração e o exercício de uma preocupação constante para que os que escutam também entendam. Um dos aspectos do Grupo T que se acham em evolução é a crescente capacidade de cada membro para atuar como observador e como participante. Estas observações podem abarcar não só a vários outros membros mas, também, à totalidade do processo grupal.

Defesas contra o compromisso.

A ausência de compromisso é, às vezes, a defesa maior e mais perdurável na pessoa que passa sua vida sem comprometer-se com ninguém e vivendo "como se" existisse. Essas defesas podem dividir-se em três grupos:

1) Excesso de intelectualização: estas pessoas tratam a vida e, por consequência, o Grupo T, como se fora somente um exercício do intelecto. À racionalização a que mais recorrem é que vieram para observar, para aprender e observar os outros quando interagem.

2) Conduta excessivamente afetiva: estas pessoas se identificam demasiado com o grupo e seu processo até o ponto que realmente não se comprometem com absolutamente nada, nem ninguém. Sua recordação da experiência grupal consiste em um borrão afetivo, com muito sentimento mas totalmente carente de compreensão e aprendizagem.

3) Desatenção seletiva: esta é uma defesa perceptiva e, dito de um modo simples, significa que uma pessoa vê o que quer ver. Todos os fatores e incidentes que são intoleráveis para sua auto-estima são desatendidos.  O tipo extremo da defesa perceptiva é a percepção autista. Neste caso, realmente não há percepção. "Estava pensando sobre o que me disseram (dez minutos antes) e cheguei à seguinte conclusão:...".

A ETAPA FINAL DO GRUPO T

Uma diferença importante entre o Grupo T e os Grupos terapêuticos ou outros tipos de grupos cara a cara, é que o tempo total durante o qual se reunirá está especificamente planejado antecipadamente. Isto dá como resultado uma administração consciente ou inconsciente de energia e de compromisso por parte das pessoas com respeito à extensão do período grupal. É bom distinguir entre o final do Grupo T e sua
terminação.  O final é a realidade da separação física que ocorre quando já não há mais reuniões.  A terminação tem lugar guando os participantes retiraram do grupo sua inversão afetiva. Há pessoas que terminam suas relações com o Grupo T antes do final.  Estas pessoas, para proteger-se da ferida que significa a chegada abrupta da reação de separação começam a retirar-se emocionalmente do grupo. As festas de despedida são também intenções de dominar a separação mediante a sublimação. Se se realizam demasiado cedo, o grupo se encontra vazio e aborrecido já que terminou muito antes de chegar a seu fim.  Com frequência, os grupos que se encontram nesta incômoda situação decidem deixar de reunir-se, de modo que coincidam a terminação e o final.

Ação.

Na análise final é condição sine qua non tanto de maturidade individual como grupal, uma conduta de natureza coordenada e orientada para um objetivo. No Grupo T, por causa de seus métodos essencialmente de discussão, as oportunidades para a ação são, com frequência, muito poucas. Isto levou alguns coordenadores a sugerir que se escolham tarefas específicas do grupo na etapa final para provar sua maturidade e para por em evidência seus pontos débeis. Se o coordenador está alerta, pode enfatizar certas tarefas aparentemente triviais do grupo para assinalar as dificuldades em seu potencial de ação.  Por exemplo, o intervalo para o cafezinho, as decisões para fazer festas ou para tratar com outros grupos, os métodos para selecionar os mecanismos de regulação interna tais como o coordenador das refeições, o contato com a equipe da administração do local. E, finalmente, os modos em que se produzem as discussões do grupo podem ser considerados como causadores de uma ação frutífera ou não. A ação se discute na fase final porque, ainda que o grupo continue a mostrá-la antes de ser assinalada, é mais provável que o benefício seja maior quando se tenham elaborado os problemas de processo.

Papéis dos membros.

A maior parte dos Grupos T não está satisfeita até que tenham examinado as relações interpessoais no grupo e também sua estrutura sua dinâmica. Esta é uma necessidade progressiva no grupo, mas provavelmente seja com mais propriedade uma tarefa da fase final, em função de que as normas evoluíram até o ponto em que os membros podem identificá-las com mais precisão. Muitas vezes os métodos para examinar este campo resultam traumáticos e o coordenador deve estar preparado para exercer um papel protetor e inclusive, de árbitro, se necessário. É importante que cada membro tenha sua oportunidade, porque, como sempre sucede no grupo, os membros mais conversadores e dominantes prevalecerão também nesta discussão. É interessante ter em conta que tanto o grupo como seus integrantes são capazes de fazer e discutir coisas pelo simples fato de que o fim está próximo. Aumentam as oportunidades de aprendizagem porque as reações de temor às críticas vêm mitigadas pelo elemento temporal que diminui. Às vezes, os grupos fazem uso do fator tempo e dirigem-se separadamente uns aos outros para fazer observações irresponsáveis e cruéis que só têm fins destrutivos.
 


EXIT  / SALIDA

ii 2016
x 2013

vi 1999