Instituto Mexicano de Relaciones Grupales y Organizacionales
Mexican Institute of Group and Organizational Relations

Um banco de memória para facilitadores

Roy M. Whitman

Extraída de "25 Atividades Para Times" publicada por Pfeiffer & Company, San Diego, CA., 1993 (tradução livre)

(Traduzido por Carla Souza)

Ao longo do tempo, as habilidades dos facilitadores podem ficar desbotadas. Uma intervenção proveitosa é esquecida, ou tipos de intervenção bem usadas podem ser usadas em excesso que elas tornam-se estereotipadas. Experientes consultores de processo, líderes de grupos de discussão, e treinadores de T-group freqüentemente refletem sobre uma sessão de grupo que recém terminou e desejam poder ter lembrado de fazer uma coisa ou outra que, naquela hora, fugiu de suas mentes. Eles poderiam ter usado uma lista de intervenções de treinadores. Tal lista é oferecida aqui como uma "sacudida na memória" para reconstruir o conjunto mental e o repertório comportamental de tempos em tempos.

Esta lista é uma adaptação de uma compilação gravada por participantes no Laboratório de Treinamento, Teoria e Prática do Instituto NTL em 1976, em Bethel, Maine (estado). Florence Hoylman e Howard Lamb eram os treinadores. Esta lista das intervenções dos treinadores pode ser usada como um conselho para renovar seu potencial como um facilitador para responder apropriadamente, especialmente quando você sente a necessidade de voltar ao papel de treinador após um período de tempo.

Muitos dos itens refletem a base teórica com a qual outros treinadores podem concordar, entretanto não se pretende, como um livro de receitas, ser seguido exatamente. Ao contrário, se você lê a lista antes de começar um trabalho de grupo, ela pode servir para renovar seu esquema conceitual e aumentar o profissionalismo de suas intervenções.

Intervenções dos treinadores:
 

  •      Vá com o fluxo de energia.
  •      Nunca use "nós" ou "nosso" como um treinador.
  •      Uma intervenção que "emparelha" você com um participante, convida a focar em você como treinador e geralmente deve ser evitada.
  •      Tomar o papel de um participante somente é efetivo quando um grupo tenha se unificado. Você pode fazer uma afirmação de participante, mas deve permanecer no papel de treinador.
  •      Uma intervenção listando um número de sentimentos, ajuda as pessoas que estão tendo dificuldades de identificar sentimentos.
  •      Quando um assunto difícil vem à tona, uma intervenção voltada a um indivíduo é preferível do que uma a nível de grupo.
  •      Tais assuntos são difíceis para o grupo lidar.
  •      Quando alguém falha em absorver um feedback, um tipo de intervenção que é útil é: "Você ouviu..." ou "O que você ouviu? "
  •      Uma interrupção ou mudança de tópico pode requerer: "Poderíamos dar a chance de as pessoas "pegarem o assunto"...
  •      Quando um participante faz uma intervenção de treinador, tal como comentar o processo do grupo você pode

  • - Intervir para chegar aos sentimentos do participante.

    - Perguntar por uma hipótese explícita.

    NOTA: Em um grupo maduro, intervenções de participantes são mais prováveis e em estágios adiantados de um grupo não é necessário serem pesadamente desencorajadas como nos estágios iniciais do grupo.
     

  •      Responder diretamente a perguntas de um participante pode levar a uma discussão intelectual. Neste ponto, pedir o feedback do grupo pode ser um meio de fuga.
  •      Se dois assuntos estão sendo desenvolvidos simultaneamente, indique isto ao grupo e solicite prioridades.
  •      Se os participantes pulam sobre os assuntos dos outros ou falham em segui-los, uma intervenção do tipo "Hei você está mudando de assunto!", pode ser útil.
  •      Normalmente é preferível começar uma sessão com uma colocação aberta (se uma abertura for usada).
  •      Quando uma colocação do tipo lá-e-então leva a uma argumentação com o treinador, intervenções como esta podem ser úteis.

  • - "O que está acontecendo entre nós? " - dinâmica pessoal

    - "Todos vocês querem continuar com isto?" - a nível grupal
     

  •      Ocasionalmente, irromper em um seminário de discussão de grupo pode ser útil, se o grupo é bem formado e se ficar explícito que você está fazendo isto por um breve período de tempo.
  •      Se, como treinador, você estabelece algumas normas no início, então suas intervenções devem moldar aquelas normas.
  •      Se um participante está recebendo feedback e outro começa a dirigir-se a ele também, ofereça espaço, i.e., "Você quer ouvir outras pessoas? " e então recue.
  •      Co-treinador colocações não devem, diretamente, seguir uma a outra.
  •      O treinador deve ressaltar coisas para as quais voltar.
  •      Quando, como treinador, você torna-se perdido, coloque como você se sente a respeito.
  •      Se um membro está brevemente ausente, use o tempo para deixar os outros entrarem em contato com eles mesmos: "Tempo para contemplação".
  •      Quando um participante relutante ingressa, use uma intervenção do tipo "Feliz em ter você..." (mas sem usar estas palavras).
  •      Intervenções do tipo resumo podem ser úteis para prover clareza, confirmar acuracidade e estimular aprendizagem.
  •      Você pode demonstrar raiva para estabelecer a norma que a expressão da raiva é o.k. no grupo.
  •      Alguns participantes reagem melhor a intervenções de clarificação que a usual resposta do tipo comportamento-sentimento. Ajuste as intervenções a cada pessoa, incluindo sua linguagem.
  •      Se a participação de um participante parece inapropriada, i.e., direciona-se para longe da fonte de energia, você pode dar espaço conferindo: "Você quer entrar neste assunto agora? "
  •      Como treinador você pode fazer uso de uma série de respostas não verbais.
  •      Quando o grupo está trabalhando com um participante relutante, a tendência é ser demasiadamente civilizado, embora o sentimento subjacente seja hostilidade. Você pode trazer a tona a hostilidade subjacente ou ao menos remover a fachada educada.
  •      O treinador deve evitar aceitar os rótulos e analogias dos participantes.
  •      A resposta de um treinador pode ser humana, você não deve tentar ser um robô objetivo e insensível. (Como pode ser o treinador outra coisa senão humano?)
  •      Quando uma colocação do tipo "Eu gosto de você" é feita, pode ser necessário puxar para fora mais dados e suportes mais abrangentes. Tal colocação pode "nublar" o assunto.
  •      Freqüentemente existirão defensores para um participante relutante e você poderá ter que impedi-lo de dirigir a energia (o foco de atenção) para longe daquele participante.
  •      Quando um participante afirma que quer ficar "fora do centro de atenções", isto não é um sinal automático que você deva ir naquela direção. Você precisa mais dados que isto. Uma intervenção oportuna é: "Quem sabe você queira continuar daqui".
  •      Quando um participante diz, "os outros neste grupo", continue com o que "outros" significa.
  •      Esteja alerta aos não verbais, e também não limite seu foco a uma coisa ou pessoa.  O treinador deve desenvolver o hábito de pesquisar periodicamente o grupo inteiro (cada três minutos, por exemplo).
  •      Se uma colocação "lá-e-então" aparece, o treinador pode escolher legitimar e redirecionar: "Eu penso que foi importante para você cobrir isto, mas eu gostaria de voltar para..."
  •      Começar um encontro com um relaxamento pode "fazer o tiro sair pela culatra" por tornar as pessoas tão relaxadas que elas tenham dificuldade de fazer qualquer coisa. Uma melhor tática é fazê-los olhar uns para os outros e tentar entrar em contato com os assuntos.  Relaxamento também tende a focar em sentimentos positivos enquanto evita os negativos.
  •      Quando um treinando afirma que um assunto é difícil, fica mais difícil para o grupo lidar com o assunto.
  •      Quando um assunto delicado vem a tona, alguns participantes podem tentar abandoná-lo trazendo um outro assunto.
  •      Neste ponto, pode ser melhor usar uma intervenção que dê permissão para explorar o assunto ou retardar novos assuntos: "Nós temos várias coisas que temos que trabalhar..."
  •      Como treinador evite fazer coisas que foquem em você mesmo.
  •      Não existe um jeito simples para chegar a um consenso em um T-group, assim evite intervenções que requeiram uma resposta de grupo.
  •      Quando você está bloqueado em seus próprios sentimentos, compartilhe e indique um desejo de continuar.
  •      Evite o uso de jargões de laboratório com um participante confuso.
  •      Quando uma intervenção não tem resposta tente parafraseá-la.
  •      Quando um participante pegou uma comunicação não verbal e deseja trabalhar nela, o consenso dos participantes pode ser levantado forçando ele a ser mais explícito sobre o comportamento-sentimento.
  •      Uma afirmação "Eu não confio no grupo" sugere um assunto de confiança o autoconfiança do orador que pode ser notado em algum ponto.
  •      Uma pessoa com alta energia que dirige a comunicação em direção a um participante relutante pode produzir ainda mais bloqueio. Isto pode requerer uma intervenção do tipo reafirmação ou redirecionamento.
  •      Uma intervenção a nível de grupo deve ser descritiva ao invés de interpretativa. Um treinador pode descrever o comportamento de um grupo, mas deve evitar colocar uma interpretação no comportamento do grupo.
  •      Intervenções a nível de grupo requerem muito gerenciamento e acompanhamento.
  •      Diálogo entre pessoas que fazem julgamento e as que não fazem pode levar a questões sobre rótulos.
  •      Pessoas que estão inconscientes de seus sentimentos necessitam um retrato claro de seus comportamentos verbais e não verbais.  Dê vários feedbacks. Pergunte a elas para descreverem seus sentimentos físicos: "Você pode me dizer o que esta acontecendo dentro de você a medida que você ouve o que dissemos para você? "
  •      Quando o grupo é bem formado, você pode impor-se ao grupo na forma de uma curta preleção.
  •      Comportamento relutante dos membros tende a levantar a preocupação dos outros, incluindo o treinador.  Não se concentre pesadamente sobre um membro relutante porque você desconsidera os outros.
  •      Conceitualizações de processos de nível de grupo podem ser úteis como intervenções.
  •      Você pode encorajar um participante com: "Eu vejo você aprendendo com isto", particularmente se o participante está tentando esquivar-se da atenção.
  •      Como resposta a: "Eu posso falar sobre problemas pessoais..." uma intervenção possível é: "Certo, concentre-se no processo. A idéias é tornar-se consciente dos sentimentos. Vamos falar a respeito deles."
  •      Quando duas pessoas estão discutindo um assunto, mas são incapazes de comunicar-se, pode ser necessário trazer

  •         outros para trabalhar no assunto.
  •      Direcionando-se para o fim do laboratório, pode ser melhor focar naqueles que não tiveram muito tempo para discussão.  Uma intervenção com uma pessoa ativa pode ser: "Você tem demostrado competência em lidar sobre isto, os outros podem precisar mais do tempo."
  •      Colocações do tipo "por que" convidam a intelectualizações (viagens mentais).
  •      Quando você está em um período de energia alta, fique com as funções do lado esquerdo do cérebro: seja lógico, objetivo. Durante períodos de baixa energia você pode fazer mais uso do lado direito do cérebro: seja intuitivo e flua.
  •      Não desenvolva noções fixas de onde a próxima sessão irá dar. O treinador não pode nem estabelecer a agenda do grupo nem forçar um assunto que ele acha deva estar presente.
  •      Não aceite envolvimentos íntimos entre pares. Há um número de alternativas:

  • - Faça com que eles verbalizem o que está acontecendo.

    - Entre na questão que eles estão experienciando.

    - Coloque eles em uma bolha figurativa em vá em frente com o grupo.
     

  •      Um treinador não tem que ficar no mesmo lugar. Um movimento pode ser uma intervenção muito efetiva.
  •      Um relato sobre um evento anterior na história do grupo, como ontem no jantar, tende a ter sido tão trabalhado anteriormente e provavelmente não será útil.
  •      Uma colocação "Eu estou com medo de magoar X" pode pedir por uma intervenção do tipo: "Se você realmente se preocupa..."
  •      Direcionando-se para o fim do laboratório, se uma pessoa finalmente quer trabalhar com o grupo em alguma coisa depois de não ter participado anteriormente, pode ser melhor sugerir "levar para casa".  Contínuo suporte de grupo irá reduzir a intensidade dos sentimento. Entretanto, deixar o sentimento ou a questão sem trabalhar irá aumentar a probabilidade de voltar-se ao assunto e trabalhar-se ele mais tarde.
  •      Para cada situação há uma variedade de alternativas de intervenções abertas aos treinadores: intervenções não devem ser vistas em termos de isto ou aquilo.
  •      Você não pode aprender uma lista de intervenções úteis para serem usadas sob circunstâncias específicas porque intervenções são altamente situacionais. Treinadores devem lutar primeiro por autenticidade para eles próprios e então por profissionalismo ao diagnosticar uma situação e selecionar uma intervenção apropriada.
  •      Falha em intervir não irá destruir a experiência de aprendizagem. Confie no processo. Engane-se do lado das poucas ao invés das muitas intervenções.
  •      Uma boa atitude para um treinador é olhar apenas ocasionalmente para a pessoa falando e gastar mais tempo olhando para o resto do grupo.

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    EXIT  / SALIDA

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    x 2013

    vi 1999