Instituto Mexicano de Relaciones Grupales y Organizacionales
Mexican Institute of Group and Organizational Relations

SEMINÁRIO - PEDAGOGIA, ANDRAGOGIA E TERAPIA

GRUPO ORGANIZADOR:  Baltazar Izaguirres, Eliane Paim, Luis Paulo, Marta Silva Neves 

"A educação é uma resposta da finitude da infinitude. A educação é possível para o homem, porque este é inacabado e sabe-se inacabado. Isto leva-o a sua perfeição. A educação, portanto, implica uma busca realizada por um sujeito que é o homem. O homem deve ser o sujeito de sua própria educação. Não pode ser o objeto dela. Por isso ninguém educa ninguém." p. 27 

"O ímpeto de criar nasce da inclusão do homem. A educação é mais autêntica quanto mais desenvolve este ímpeto ontológico de criar. A educação deve ser deseinibidora e não restritiva.  É necessário dar oportunidade para que os educandos sejam eles mesmos."  p. 32 

"Na medida em que os homens, dentro de sua sociedade, vão respondendo aos desafios do mundo, vão temporalizando os espaços geográficos e vão fazendo história de sua própria atividade criadora." 

"O destino do Homem deve ser criar e transformar o mundo, sendo o sujeito de sua ação." 

Paulo Freire – Educação para a Mudança. 

Educação para a Liberdade – participação livre e crítica dos educandos, que contempla: 

          Humanização do homem,
          Homem como sujeito e não como objeto,
          Análise crítica da realidade,
          Conscientização,
          Relações entre sujeitos – não dominação,
          Criar e recriar. 

Mas, nos apercebemos, que a "Pedagogia" encontra-se reproduzindo modelos burocráticos muitas vezes desenvolvendo uma consciência bancária, e não, crítica e transformadora.  O educando recebe passivamente os conhecimentos, tornando-se o depósito do educador. " Mas
o curioso é que o arquivado é o próprio homem, é a sua história, e o seu poder de criar, de levantar hipóteses e transformar. Torna-se menos homem, para ser mais uma peça, mais um integrante a fazer parte de um sistema, que se mantém em seus moldes e padrões. 

O quanto a educação, ou nós enquanto educador, através de nossas relações, contribuímos efetivamente para a libertação das pessoas, para a apropriação do seu saber espontâneo? 

Será que é possibilitado ao homem estar criando a sua história, a sua cultura?  Ou está obedecendo as prescrições ditadas por algo já sabido? 

                                                            A educação é um caminho
                                                            possibilitado ao homem de
                                                            experimentar-se, sentir, aprender
                                                            e traçar novas possibilidade de
                                                            caminhar, ou traçar um caminho
                                                            diferente. Apropriando-se desse
                                                            conhecimento vivido,
                                                            compreendido e transformado no
                                                            dia-a-dia pelas relações e pelo
                                                            diálogo.

Diálogo: análise de ação e o pensamento, despertando a consciência e a crítica e o entendimento sobre o seu papel enquanto indivíduo em constante formação, enquanto cidadão. 

Dentro dessa visão macro-educacional, a ação pedagógica extrapola o limite educacional, apliando-se para a sociedade como um todo. 

Uma pedagogia para significado não é meramente um curso ou uma série de eventos de treinamento, está direcionada ao aprendizado continuo, no ambiente natural. São esses princípios que norteiam a educação de adultos em locais de trabalho atualmente. 

O foco se volta mais para o processo de pensamento e menos para o conteúdo do currículo. Propiciar um ambiente de indignação, de levantar hipóteses onde o adulto seja o sujeito do seu conhecimento. As pessoas conversam uma com as outras e jogam com as idéias, experimentam e refletem sobre os resultados. Esse ato de questionar informações e refletir conscientemente, resulta em aumento na capacidade de raciocínio de apropriar-se ainda mais do seu próprio potencial de pensar e de fazer parte. Ao contrário de uma educação bancária, onde assiste, recebe, e delega o seu pensar. 

O grau de resposta das pessoas, depende em grande parte da qualidade das interações sociais e das atitudes das demais pessoas que compartilham desses aprendizados e do indivíduo que atua como educador. Se relacionamos aos locais de trabalho aos próprios colegas, instrutores e gerentes, pois as pessoas precisam sentir-se dispostas a compartilhar o seu conhecimento. 

Esse aprendizado coletivo, onde é possibilitado ao adulto explorar a sabedoria que carrega consigo e compartilhá-la com tantas outras na busca de soluções de problemas ou estabelecer associações para novos aprendizados conceituais necessito de um indivíduo que o incentive a
perguntar e a criar, estabelecendo um jogo intelectual. 

E nas organizações o processo de aprendizagem passa a ocorrer entre as pessoas através de sistemas formais para capacitação e desenvolvimento, mas também através da prática diária de líderes e gerentes, facilitam, alimentam e alavancam conhecimento que as pessoas já tem e as incentiva a se tornarem pensadores independentes capazes de julgar a qualidade de suas próprias idéias, sem delegar essa autoridade para outro. 

Em seu livro Pedagogia do Oprimido , Paulo Freire coloca: 

"Não há, por outro lado, diálogo, se não há humildade.  A pronúncia do mundo, com que os homens se recriam permanentemente, não pode ser um ato arrogante. O diálogo como encontro dos homens para a tarefa comum de saber agir, se rompe, se seus pólos sempre em outro , nunca em min?  Como posso dialogar, se me admito como um homem diferente virtuoso por herança, diante dos outros, meros " isto ", em que não reconheço "outros eu"?  Como posso dialogar, se me sinto participante de um gueto de homens puros, donos da verdade e do saber para quem todos os que estão fora são " essa gente ", ou são " nativos inferiores"?  Como posso dialogar, se me fecho à contribuição dos outros, que jamais reconheço, e até me sinto ofendido com ela? ... Os homens que não tem humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não podem ser companheiros de " pronúncia " do mundo." 

O indivíduo que atua no papel de " educador " com um grupo, não tem uma visão paternalista voltada para relacionamento professo/aluno; ao contrário, ele se coloca como parceiro em pé de igualdade no processo de aprendizado. 

Cada vez mia as organizações, que não desejarem impedir seu dinamismo, necessitam Ter em sus líderes, gerentes pessoas que facilitem o pensamento das suas equipes de trabalho, trazendo contribuições para desenvolvimento e crescimento da empresa e das pessoas conseqüentemente. 

A Pedagogia voltada ao significado é aquela que se concentra em fazer com que as pessoas aprendam a aprender. A força de trabalho que tenha aprendido a aprender é uma das mais importantes alavancas competitivas com que a organização pode contar num ambiente de
mudança tecnológica contínua. 

A Dinâmica de Grupo, enquanto ciência comprometida com a liberação, com a expressão dos sentimentos, contribui para a mudança do ambiente de mais tenso e de estresse, para ambiente onde predomine solidariedade e compreensão das necessidades humanas. 

Conjugando ao processo educacional ou de re-educação, a ampliação do uso de feedback nas relações e estimular um processo que permita uma substancial modificação das aborrecidas e desgastadas competições internas por processos de ajuda mútua, que efetivamente podem
integrar as pessoas e grupos organizacionais, canalisando a energia emocional e permitindo ambientes mais favoráveis ao desenvolvimento dos indivíduos, tanto emocional, quanto cognitivo.
 

PEDAGOGIA, TERAPIA E ANDRAGOGIA – SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS


 

O QUE É?
 
 
 
 
 
 
 
 

PERSONAGENS
 
 
 

OBJETIVOS
 
 
 
 
 

METODOLOGIA
 
 
 
 
 
 

PLANEJAMENTO
 
 
 

CONTEÚDO
 
 
 
 

AVALIAÇÃO
 
 
 
 
 

APLICAÇÃO DO CONHECIMENTO

PEDAGOGIA

É a arte e a ciência de ensinar e conduzir as pessoas 
 
 
 
 
 
 
 

Professor – formal ou informal
Aluno dependente 
 
 

Definidos e formulados pelo professor 
 
 
 
 

Aulas centradas no professor - expositivas com exercícios de fixação – leituras e cópias. Temas – assuntos – ligados a matérias ou disciplinas de currículos 
 

Pelo professor 
 
 
 

A partir do menor grau de complexidade
Organizado em unidades 
 
 

Feita pelo professor Valorização dos aspectos do conhecimento com ênfase na memorização - serve somente como revisão de conteúdo 
 

Longo prazo não identificado

TERAPIA

É a aplicação, por um terapeuta treinado, de técnicas psicológicas específicas, de acordo com um plano preestabelecido.  A meta é ajudar o paciente, diminuindo suas limitações, incapacidade ou invalidez, propiciando um melhor funcionamento e um maior bem estar. 

Terapeuta – formal ou informal Paciente
 

São construídos de acordo com a situação/ necessidades do paciente.  Permitir o alívio de suas ansiedades neuróticas como primeira etapa na resolução de sua problemática 

Diagnóstico análise e reflexão, interpretação 
 
 
 
 
 

É construído passo a passo 
 
 
 
 
 
 

A partir das sinalizações do paciente e do resultado do diagnóstico 
 
 

Feedback constante 
 
 
 
 

No decorrer da terapia

ANDRAGOGIA

É a arte e a ciência de ajudar as pessoas a aprender 
 
 
 
 
 
 
 

Orientador / facilitador Aluno -Independente 
 
 

São negociados Participação livre e crítica dos alunos 
 
 
 

Técnicas de experiência vivências, simulações Ênfase na participação de todos com exemplos práticos  Ênfase na resolução de problemas enfrentados no presente. 
 
 

Compartilhado, valorizando a competência interpessoal e crescimento dos indivíduos 
 

Seqüência em ternos de prontidão, para responder as necessidades e interesses dos participantes 
 

Valorização dos aspectos comportamentais e afetivos/atitudes – com ênfase em auto-avaliação 
 
 

Aplicação imediata, face aos interesses dos aprendizes 

* Tendo como referência as práticas educativas tradicionais.


Bibliografia

Freire, Paulo.  Educação para mudança. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1982.
Starkey, Ken.  Como as organizações aprendem. São Paolo, Futura, 1997.
Percado/98 – Anais do simpósio Internacional "Personal, Capacitación y Desarrollo", Chile
Siqueira, Doralício.  Emoções saindo da sombra.
Correa, Everton.  Viabilizando a mudança cultural da empresa.
Rojas, Sergio.  Superando barreiras da criatividade na empresa.
 


EXIT  / SALIDA

ii 2016
x 2013

vi 1999